Um resumo rápido do que vocês viram com a professora substituta.
Inconfidência Mineira X Conjuração Baiana
A Inconfidência Mineira e a Conjuração Baiana foram dois movimentos representativos da insatisfação colonial perante o governo metropolitano, caracterizados como conspirações de caráter separatista e anticolonial e quando comparados ora apresentam semelhanças, ora diferenças quanto aos interesses almejados e a origem social. Abaixo alguns pontos que apresentam essas semelhanças e diferenças.
SEMELHANÇAS
- Separatistas, pretendiam a ruptura com a metrópole
Importante observar nesse ponto que a intenção separatista era de alcance regional, pois ainda não havia a intenção de libertar toda a colônia brasileira, levando-se em conta que naquele momento não existia uma identidade nacional construída, desmontando assim a ideia errônea que ainda se tem dessas conspirações como movimentos que pretendiam a “independência do Brasil”. Evidentemente que já demonstram uma rejeição contra o domínio metropolitano que mais tarde, no século XIX, vai se moldar em um movimento de independência carregado, entre outros fatores, de um certo sentimento nacionalista.
- Ideal republicano
Os dois movimentos colocaram em suas pautas conspiratórias a intenção de fundar governos republicanos após a ruptura e separação do domínio português. Isso se deve ao fato de que ambos os movimentos tiveram contatos com outros movimentos que traziam em seus conteúdos o ideal republicano.
- Inspiração
Buscaram inspiração em movimentos externos como o Iluminismo, a Independência dos EUA e a Revolução Francesa, como exemplos de movimentos que questionavam a ordem vigente sustentada no Antigo Regime e em seus tentáculos como o pacto colonial e o mercantilismo. Os integrantes da Inconfidência Mineira e Conjuração Baiana tinham contatos com esses movimentos ideológicos e revolucionários por meio de livros que chegavam clandestinamente na colônia e por meio de pessoas da elite colonial que estudavam nas universidades européias e voltavam com as novidades ideológicas. Obras iluministas, como a Enciclopédia, circulavam pela colônia, o próprio Tiradentes possuía a “Coleção das Leis Constitucionais dos Estados Unidos da América”, escrita em francês, e o tenente Hermógenes Aguiar, envolvido na conspiração baiana, possuía obras de Voltaire. Vale ressaltar que a conspiração mineira não se inspirou na Revolução Francesa, foram episódios paralelos sendo que a conspiração começou a ser desmantelada em maio de 1789 e a revolução na França eclodiu em julho do mesmo ano.
- Peso tributário e pacto colonial
Embora as propostas e a origem das reivindicações tenham sido diferentes de um movimento para o outro, pelo menos os dois tinham em comum a mesma reclamação contra a pesada cobrança tributária do governo português e a sua amarra econômica denominada pacto colonial. Se pela Conjuração Baiana a carga tributária tornava ainda mais miserável a vida das camadas mais pobres de Salvador, o peso tributário nas Minas foi sentido pela elite mineira cada vez mais endividada e na mira do fisco metropolitano. Ambos almejavam uma proposta econômica embasada na liberdade comercial, o que não era possível mediante a imposição do pacto colonial pela metrópole.
- Pena capital
Nos dois casos aqueles que foram considerados líderes do movimento foram executados na forca, esquartejados e as partes dos corpos foram expostas em praça pública e nos dois casos os elementos identificados com a elite local tiveram a pena modificada ou mais abrandada poupando esses envolvidos da elite da execução capital.
DIFERENÇAS
- Caráter elitista e popular.
Uma acentuada diferença entre as duas conspirações encontra-se no seu núcleo de organização. Enquanto a Inconfidência Mineira foi pensada e articulada por elementos da elite local, a Conjuração Baiana apresentou um impulso popular, sendo os seus conspiradores pessoas identificadas com as camadas mais pobres de Salvador.
Entretanto não se pode afirmar que alguns elementos da elite não tenha se articulado com os populares da conspiração baiana. Militares, religiosos e profissionais liberais estiveram presentes na Conjuração Baiana embora tenha se afastado do movimento ao perceber que as propostas eram muito radicais e aprofundadas, muito além das propostas identificadas com os interesses da elite local.
- Divulgação
A Inconfidência Mineira se caracteriza como uma conspiração fechada, secreta, sem qualquer possibilidade de divulgação de um ideal revolucionário, ficando a intenção do movimento confinada ao conhecimento do grupo envolvido. A Conjuração Baiana teve um caráter de divulgação panfletária. Folhetos foram afixados e distribuídos pelos locais públicos de Salvador, difundido ideais de liberdade e igualdade.
- Propostas
As propostas da Conjuração Baiana estavam revestidas de um ideal de alcance social muito maior que a Inconfidência Mineira, defendo por exemplo o igualitarismo social e a o fim dos privilégios de classe, destacando o seu caráter abolicionista. Os ideais da Inconfidência Mineira atendiam os interesses da elite local. A questão da escravidão entre os mineiros não foi um assunto consensual até mesmo porque muitos dos envolvidos eram donos de escravos.
- Delação
A denúncia na Inconfidência Mineira partiu de um dos integrantes do grupo, Joaquim Silvério, por vontade própria, recebendo em troca da delação o perdão das suas dívidas com o fisco português. No caso da Conjuração Baiana, a distribuição de panfletos levou as autoridades locais aos envolvidos, pois aqueles que distribuíam panfletos foram descobertos, presos e sob ameaças de morte, obrigados a entregar todos os envolvidosArmazém da História
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